20 de junho de 2011

United States of Tara - O Fim

Hoje à noite chega ao fim a terceira e última temporada de United States of Tara.
A série, originalmente exibida pelo canal Showtime, chamou bastante atenção na sua primeira temporada, mas a audiência seguiu uma trilha decadente, o que desencadeou na sua não renovação após o terceiro ano.
A notícia caiu feito uma bomba há poucas semanas, e forçou Diablo Cody e os outros produtores a mudar e concluir a história em poucos episódios.
Injusto com os fãs que acompanham a vida de Tara e sua família ao conviver com seu transtorno dissociativo de identidade. Já que não adiantava chorar pelo leite derramado, a Showtime já havia anunciado sua decisão (maldito capitalismo!), o jeito foi esperar por um final decente, e até a semana passada (quando foi exibido o 11º e penúltimo episódio) isso era uma certeza.

A entrada, nesta terceira temporada, do personagem Dr. Hattarras deu um bom movimento à história, trago à vida pelo excelente ator Eddie Izzard, esse personagem arrogante, implicante, irônico e egoísta entregou momentos cômicos e dramáticos à trama.
Infelizmente, o anunciado fim da trama, afastou personagens extras e focou no núcleo central, com isso Dr. Hattarras saiu de cena após Bryce tentar mata-lo.
Bryce...
Inesperadamente Tara assumiu a identidade de seu meio-irmão abusador, culpado pela sua doença. É visível que a história seria bem mais profundamente trabalhada à medida que Bryce eliminaria as outras personalidades; mas seu aparecimento foi consistente e importante para a conclusão da trama. Ele diz muito sobre a própria Tara, e suas cenas são todas cheias de tensão.

Na primeira temporada Marshall se levantava como o personagem mais interessante da série, o garoto de 14 anos que era um porto seguro para sua mãe. Em torno de si houve sempre um confronto com sua sexualidade, mas de uma forma diferente de outras histórias, o fato de ser homossexual assumido não causou estranheza, e seguiu outros caminhos.
Quando foi que Marshall deixou de ser o filho perfeito? Agora na terceira temporada ele mostra que talvez esteja cansado de tudo aquilo, que talvez tivesse tido uma vida mais feliz longe da mãe. Egoísta? Ponha-se em seu lugar, em plena adolescência, com tanto a viver, limitou seus passos por ter que conviver com o problema.
Achei importante essa mudança de atitude, afinal Marshall é humano, mas ele ama sua família como é, e não consegue se afastar.

A adolescente problema da primeira temporada sequer é lembrada agora, Kate está bem mais madura. Dona de um humor negro e de uma atitude libertária (muito do que eu gostaria de ser), Kate está entre as mais interessantes personagens da série.
Sua trama anda com próprias pernas, sem depender muito das oscilações de sua mãe, mas a garota está sempre ali, presente.
Assim como Marshall, Kate quer deixar de viver "o problema de sua mãe" e passa a procurar seus "próprios problemas" ao lado de Evan - e um demônio chamado Monty.
Torço para que tenham um final feliz juntos.
Alguns fãs torcem o nariz para Charmaine, eu particularmente adoro a personagem.
Sempre ofuscada pela doença de sua irmã, Charmaine assumia a função de coadjuvante na família, suas atitudes sempre foram uma tentativa de chamar a atenção.
Acompanhar sua trajetória tem sido delicioso.
Sempre preocupada com sua imagem, Charmaine não conseguia assumir sua paixão pelo gordo, pobre e desajeitado Neil, mas não teve jeito, decidiu sucumbir aos seus sentimentos e aceitou viver uma nova vida.
Sua relação com a irmã, sempre com um pé atrás, dá realismo à trama. Quem não sentiu vontade de enfiar a mão em suas fuças enquanto proibia Tara de ver sua filha?
A promessa de que Max teria uma trama independente de Tara ficou nisso, na promessa.
Max, assim como Marshall e Kate, explicita ser difícil lidar com Tara, os dois protagonizaram muitas discussões este ano.
Embora visivelmente cansado, Max é o único que ainda permanece forte ao lado de sua esposa, não importa o que aconteça, ele sempre estará lá.
Vejo que a entrada de sua mãe e a menção de sua banda também devem ter sido diminuídas para não atrapalhar o foco central.
Mas é digno de nota o que sua mãe disse: ele deve amar Tara, mesmo que ele seja louca.
É claro que ele não quer repetir as atitudes de seu pai.
Tara...
A imagem acima é um print da melhor cena de toda a série até então.
Digo sem medo que Toni Collette é a melhor atriz que conheço, após dar vida a tantos personagens e me fazer acreditar em todos, pode-se dizer que a série é toda dela.
Nesta temporada vimos que Tara não é uma vítima, embora tente sê-lo.
A doença talvez tenha sido simplesmente um refúgio covarde ao qual se agarrou para não enfrentar a realidade.
Tara é egoísta!
Ela ama sua família? Sim. Mas ele ama ser cuidada, ama ser o centro das atenções, embora inconscientemente, ela é a culpada do sofrimento que ela e sua família enfrentam.
E é isso o que faz série e personagem tão humanas, tão maravilhosas.
Ela quer acabar com isso tudo, mas não se sente forte o bastante para viver uma vida só sua, sem Alice, T., Buck, Shoshana, Gimme, Chicken e até mesmo Bryce para usar como escudo.

O ideal seria que a trama tivesse uma quarta temporada para desenrolar sua conclusão com a qualidade necessária, mas já que não é possível, há apenas 20 minutos para que isso seja feito.
As previews apontam para uma season finale com um típico (e tedioso?) final feliz, Tara sobrevivendo à tentativa de suicídio e lutando para tomar as rédeas de sua vida.
Esperemos...

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